Famílias vítimas das chuvas de 2015 no Lobito e Catumbela dizem-se abandonadas pelo governo de João Lourenço

Mais de 300 famílias, que em Março de 2015, foram forçosamente desalojadas pelas inundações em consequências das fortes chuvas que caíram sobre os municípios do Lobito e Catumbela, província de Benguela continuam a viver em tendas e em condições, segundo aquelas populações, “desumanas” pelo que clamam pela intervenção do Presidente da República João Lourenço.

Já lá se passam cinco anos desde que estas famílias foram alojadas provisoriamente em tendas e outras em casebres de chapas de zinco, com a garantia de um realojamento condigno nos dias que se seguissem por parte das autoridades de Benguela, mas lamentam que, “de lá para cá nada acontece”, facto que concluem que “fomos abandonados pelo Governo Provincial de Benguela”.

Os trabalhos para a construção de um bairro “totalmente novo” financiado com dinheiro público estão paralisados há alguns anos no município do Lobito. Na altura, o ex-governador de Benguela, Isaac dos Anjos procedeu à distribuição de lotes na Urbanização dos Cabrais.

O Decreto esteve no local onde estão alojados os sinistrados das chuvas de 11 de Março de 2015 e o que foi constatado é um cenário de “tristeza e lamentações” no seio das mais de 300 famílias, que há cinco anos aguardam pela “mão caridosa” do Governo Provincial de Benguela ou mesmo do Governo Central, já que as vítimas alegam que não têm condições financeiras para construção uma residência condigna.

Alguns dos sinistrados que, com os seus meios tentaram erguer a sua habitação, vivem em casas inacabadas por falta de recursos financeiros para a conclusão das obras, outras estão casas de chapas e tendas de campanha que na sua maioria já se encontram em estado avançado de degradação devido ao tempo.

Os populares mostram-se igualmente preocupados com os riscos que correm pela falta de transportes públicos e afirmam que são obrigados a pagar 1000 kwanzas para chegarem ao local, mas a maior preocupação é o “não acabamento das residências”.

No local, O Decreto constatou que os moradores encontram muitas dificuldades para a alimentação, pois, maior parte dos sinistrados é desempregadas e sobrevivem de ajudas de “pessoas de boa-fé”. “Temos passado muita fome por falta de comida e também a água que temos consumido nos últimos dias é de cor castanha com muitos vermes, como pode ver”, disse um dos moradores dos Cabrais, apontam a banheira de água que acabava de acarretar num poço.

A outra vítima que não quis ser identificada acrescentou que “estamos aqui, não temos dinheiro, nem emprego para sustentar as nossas famílias, muitas das nossas crianças estão fora do sistema do ensino, o bairro dos Cabrais fica há trinta quilómetros da cidade do Lobito, se calhar vamos continuar viver nessas condições, e água que Administração da Catumbela distribui aos moradores do bairro dos Cabrais é imprópria para o consumo humano”.

As famílias afectadas pelas inundações de 2015 são provenientes dos municípios de Lobito e Catumbela. Numa primeira fase, foram colocadas num terreno a 30 quilómetros da cidade do Lobito, na zona dos Cabrais, junto à estrada que liga a cidade portuária à Canjala e próximo do desvio para a comuna do Biópio.

Lembrar que as fortes chuvas que inundaram a cidade ferro portuária do Lobito nos dias 11 e 12 de Março, resultaram em perto de 100 mortos, dezenas de feridos e um rasto de destruição, cujos prejuízos foram maiores com casas destruídas, bairros inundados e estradas intransitáveis.

O Decreto