Marginal mais temido do Cazenga acusado de roubar mais de 30 milhões de kwanzas

A segunda audiência de julgamento de Flávio Pascoal Tavares, também conhecido por “Pula Pula”, acusado de roubo de mais de 30 milhões de kwanzas, a um cidadão estrangeiro no bairro Mártires do Kifangondo, em Luanda, aconteceu nesta terça-feira, 09.

Com o processo nº 124/19-b, “Pula Pula” está a ser julgado na 6ª Secção dos Crimes Comuns do Tribunal Provincial de Luanda estando a dirigir o julgamento a Josina Ferreira Falcão, juíza que em 2018 absolveu os jornalistas Mariano Brás e Rafael Marques, num processo em que o queixoso foi o antigo PGR, general João Maria de Sousa.

Numa máfia envolvendo os “graúdos” do SIC, “Pula Pula”, foi arrolado num processo onde os queixosos, comerciantes ligados ao Mártires, estão envolvidos em compra e venda de diamantes.

Segundo dados da instrução processual obtidos pelo O Decreto, os valores saíam das Lundas, do comércio de diamante levados para Luanda em dólares e depois retornavam para o mesmo sítio em kwanzas, transportados por agentes do Serviço de Investigação Criminal (SIC) e neste período programavam-se os assaltos para o sumiço dos valores.

Flávio Pascoal Tavares “Pula Pula” e seus colegas teriam alegadamente roubado a um cidadão de nacionalidade maliana o valor de 33 milhões de kwanzas.

Está em jogo também o sumiço de 163 milhões, supostamente roubados por outro grupo de agentes do Serviço de Investigação Criminal (SIC).

Nascido no município do Cazenga, “Pula Pula” cresceu e notabilizou-se nos bairros da Madeira e Frescangol, localidades onde, segundo relatos de vítimas e seus familiares, fez a sua “carreira criminal”.

Por dominar o mundo do crime, o Serviço de Investigação Criminal (SIC) ao tempo do comandante Eugénio Alexandre mobilizou-o para integrar a equipa de execução da Esquadra do IFA, no Comando de Divisão do Cazenga.

Sabe-se que, aos olhos do público, “Pula-Pula” tornou-se conhecido depois de o jornalista Rafael Marques de Morais ter produzido um relatório denominado “o campo da morte”, sobre as execuções sumárias nos municípios de Viana e Cacuaco, em que este marginal (Pula Pula) é citado pelas famílias das vítimas, como o homem que mais jovens inocentes terá executado nestas localidades de Luanda.

Depois da denúncia de Rafael Marques, a Procuradoria-Geral da República (PGR) formou uma comissão de inquérito para averiguar os factos e retirar as devidas conclusões.

Entretanto, “Pula-Pula” figurava com o triste destaque no referido relatório como um dos mais temíveis executores do Serviço de Investigação Criminal (SIC).

Flávio Pascoal Tavares “Pula Pula” veio a ser solto num pedido de Habeas Corpus interposto pela equipa de advogado de defesa, facto que lhe permite responder em liberdade.

O Decreto