Falta de dólares americanos agrava negócios de divisas no BAI

São recorrentes as denúncias que têm sido feitas em torno da “má actuação” do Banco Africano de Investimento (BAI), em Angola.

O BAI, segundo fontes, vem sendo citado desde 2012 no cometimento de “irregularidades” cambiais no mercado financeiro angolano num olhar impávido do Banco Nacional de Angola enquanto entidade reguladora .

Um dos casos mais notáveis destas “irregularidades” foram registadas em Benguela, onde o Tribunal Provincial realizou nos dias 30 e 31 de Outubro de 2012, sessões de julgamento do “caso Banco BAI”, que julgou dois antigos tesoureiros, Walter Janet Joaquim e Eduardo Chitaly, acusados de “terem efectuado movimentos financeiros irregulares”.

Em Dezembro de 2019, o processo crime n.º 4835/19/TLA, no qual eram investigados factos que envolvem o ex-gerente do balcão Camama do Banco BAI e a movimentação de algumas contas de clientes, corre os trâmites junto do Serviço de Investigação Criminal (SIC), informou em nota a instituição bancária.

Entre os casos investigados pelas autoridades, consta a denúncia do cidadão João Pedro Domingos, cliente do BAI, que na reclamação apresentada afirmou ter sido retirada da sua conta bancária no balcão Camama o valor de 15 milhões de kwanzas, de acordo com matéria publicada pelo diário estatal.

Reagindo à notícia, o Banco Africano de Investimento (BAI), em nota enviada ao JA, afirmou que os elementos do processo tramitam junto do SIC e, “por estarem em fase de instrução preparatória, constituem matéria sujeita a segredo de justiça, nos termos do Código de Processo Penal, pelo que não pode o BAI, nem outra pessoa singular ou colectiva, fazer sobre eles qualquer pronunciamento”.

De recordar que, em Setembro de 2011, na província de Cabinda tinham sido detidos três funcionários do Banco Africano de Investimento (BAI), sob a acusação de desvio de 66 milhões de kwanzas e de 60 mil dólares retirados da caixa forte.

Na altura, as autoridades da província mais ao norte do país, disseram que os acusados eram o gerente, o sub-gerente e o tesoureiro da agência do BAI.

A detenção destes três, diziam na ocasião as autoridades policiais, foi resultado de um trabalho de investigação, que contou com a colaboração da direcção da agência bancária, depois de fortes suspeitas que pesavam sobre os então arguidos.

Em 2011, os três funcionários chegaram de confessar o crime e revelaram que o dinheiro desviado foi investido na construção de imóveis em Cabinda, província rica em petróleo.

Os suspeitos no rombo dos cofres do BAI incorriam numa condenação de oito a 12 anos de prisão maior.

Fontes do O Decreto confirmam que, estas práticas não terminaram, pois, agravam-se com a escassez de dólares norte-americanos em Angola, uma vez que as agências na sua maioria retêm os dólares dos clientes, incluindo os assalariados nesta moeda.

Os clientes lamentam a incapacidade do BAI, que de acordo com eles, não consiga responder mesmo com diversas reclamações já apresentadas a sua gestão.

“O meu salário é enviado, mas nunca cai na conta, o que acontece é que o banco não põe na minha conta, porque faz negócios com os meus salários”, acusam alguns dos funcionários de organizações americanas assalariados no Banco Africano de Investimento (BAI). O Decreto

O Decreto fez vários contactos junto das autoridades bancárias do BAI mas não obteve qualquer resposta.