Activistas temem pela vida de Nito Alves e instam João Lourenço a proteger o angolano

Queremos nosso Nito Alves sã e vivo – exigem activistas angolanos. Um grupo de jovens da sociedade civil em Angola manifesta-se solidário com o activista Manuel Chivonde Baptista Nito Alves, que enfrenta um processo crime em Lisboa, Portugal, onde reside há já algum tempo.

Em 2016, Nito Alves, por considerar o julgamento dos 17 activistas “uma palhaçada” foi acusado de perturbar a ordem no Tribunal Provincial de Luanda e condenado a seis meses de prisão efectiva, deixando assim os seus 16 companheiros em prisão domiciliária.

Em Portugal Nito Alves é acusado de calúnia, difamação e incentivo à desordem, numa queixa-crime apresentada à justiça portuguesa por duas funcionárias ligadas ao Consulado da Embaixada de Angola em Lisboa, de acordo os dados avanços na notificação da Polícia de Segurança Pública (PSP).

Em consequência disso, Nito Alves foi constituído arguido, tendo sido interrogado no dia 04 de Junho, na Esquadra de Investigação Criminal – Divisão de Loures onde prestou  as primeiras declarações.

O jovem “revú”, como também é tratado nos “circulos de reivindicação” à governação do partido MPLA, no poder há 45 anos, faz parte do autodenominado “Movimento Revolucionário de Angola” e fez parte do processo midiático que ficou conhecido como “15+2”.

Em nota, os “jovens da sociedade civil”, solicitam “encarecidamente” ao Estado Angolano no sentido de “proteger a vida do cidadão Nito Alves”, que segundo eles, “está salvaguardado no artigo 30° da Constituição da República de Angola”.

Na última semanas surgiram nas redes sociais imagens que davam conta da detenção de Manuel Nito Alves pela polícia portuguesa quando o activista protestava frente ao Consulado Geral de Angola, mas que viria a ser libertado horas depois.

A sua detenção, segundo consta, resultou do facto de Nito Alves ter voltado a protestar junto à porta do Consulado de Angola em Lisboa, “chamando de gatunos os funcionários da instituição angolana”, para onde se dirigiu com o objectivo de tratar de documentos pessoais.

De acordo com os relatos, foi o Consulado de Angola naquele país da União Europeia que chamou a polícia municipal, que acabou por prender Nito Alves.

O grupo de activistas em Angola considera que Nito Alves “está sendo perseguido em solo Português e o Estado angolano está em silêncio total, mesmo sabendo que tem um cidadão a ser maltratado e que sua família pede apoio e intervenção do Estado para que se cuide e se protege a sua vida”, afirmam.

“Os direitos civis são aqueles relacionados às garantias das liberdades individuais, à liberdade de expressão, à igualdade perante a lei, mas Nito é perseguido por exercer seus direitos civis”, lês-se na nota dos jovens da sociedade civil angolana.

Para o grupo de activistas, o “Estado Angolano deve intervir com urgência nesse caso, pedindo a extradição do seu cidadão”.

Nito Alves em Luanda, é morador do Bairro da Estalangem, Município de Viana, onde reside com Adália Chivonde (mãe) e Fernando Baptista (pai).

Nito Alves foi detido na sexta-feira, 26 de junho, mas já está em liberdade.

O Decreto