UNITA afasta MPLA da Rádio Despertar

O MPLA está a partir deste domingo excluído do programa Angola e o Mundo em 7 Dias, da Rádio Despertar.

A decisão foi dada a conhecer pelo Marcial Dachala, Secretário para Comunicação e Marketing do Galo Negro aos autos dirigentes da Rádio Despertar.

Por indicação da Vice-presidente do MPLA, Luísa Damião, com quem o Director Adjunto da Rádio Despertar, Anastácio Chiluvia, tem mantido contacto com vista a conseguir o contraditório, foi dado a representar o partido dos camaradas, naquela emissora o sociólogo Aniceto Cunha.

Entretanto, nos últimos dias várias mexidas foram feitas para encontrar um quadro da UNITA, capaz de debater com o representante do MPLA, o que não foi possivel.

Inicialmente, Aniceto Cunha fazia uma “óptima” dupla com Nelito Ekuikui, actual Secretário Provincial da UNITA, em Luanda, que por indisponibilidade de tempo, teve de ceder o seu lugar ao Secretário Provincial da JURA, Domingos Epalanga, que travou acérrimos debates com o Cunha.

Tal como O Decreto, denunciou na última semana, estava suspenso desde o domingo, 5 de Julho, o programa “Angola e o Mundo em 7 Dias”, espaço de debate informativo da Rádio Despertar, que aborda os principais factos e protagonistas da semana, que vai ao ar todos os domingos das 13h00 às 15h00.

No referido espaço, já participaram diversas personalidades, dentre elas, os deputados, Makuta Nkondo, Sindiangane Mbimbi, Mihaela Weba entre outras.

Este Domingo, 12, são convidados Reverendo Tony Nzinga, Eduardo Perez e Isabel Dos Santos (não a empresária).

Segundo fontes do O Decreto, a orientação para o cancelamento do “Angola e o Mundo em 7 Dias”, resulta de uma contestação levantada pelo deputado da UNITA, Joaquim Nafoia: “Nafoia quer participar mas não pode com a presença do Aniceto” explica.

A nossa fonte conta que, na passada quinta-feira, 02, Joaquim Nafoia “dirigiu-se” à direcção da Rádio Despertar, onde procurou “impor” ao director da emissora, Emanuel Malaquias, um novo formato para o debate, onde sugeriu nomes como de Sediangani Mbimbi, David Kissadila e o seu próprio, “exigindo” deste modo a retirada do nome do representante do MPLA, o sociólogo Aniceto Cunha.

O director Emanuel Malaquias, por sua vez, segundo a fonte que estamos a citar rejeitou tal “imposição”, fundamentando que, “está mais tempo na UNITA e sabe bem o quê é que a UNITA quer”.

De acordo com o Malaquias, caso o presidente do partido quiser baixar alguma orientação, bem que ligaria para si pessoalmente pelo que, não aceita a “imposição” de Joaquim Nafoia.

“Sou amigo do presidente a muito tempo, presidente me conhece bem e se tivesse que baixar alguma orientação ligaria para mim pessoalmente e mais, eu sei o que é que a UNITA quer, nós não podemos cometer os mesmos erros que o MPLA comete”, disse o director da Rádio Despertar.

As malabarices de Nafoia

Não convencido com a posição do director do órgão, Joaquim Nafoia, lançou mão ao seu corredor de “lobby”, tendo influenciado Álvaro Chikwamanga Daniel, actual Secretário-Geral da UNITA e Marcial Dachala, Secretário para Comunicação e Marketing, estes que, referiu a fonte, “fizeram por portas e travessas, prevalecer a interferência do deputado Nafoia”, contou a fonte.

Joaquim Nafoia é um antigo militante do Partido de Renovação Social (PRS), envolvido em vários escândalos semelhantes.

Joaquim Nafoia trama Rafael Marques

Uma das vítimas das trafulhices de Joaquim Nafoia foi o jornalista e activista Rafael Marques.

Marques quando estava a ser processado pelo antigo procurador da República João Maria de Sousa, pagou a passagem para que as testemunhas das lundas, entre sobas e seculos se deslocassem a Luanda.

Chegados a Luanda, já no dia D, Rafael Marques se confrontou com uma das “malabarices” de Nafoia: “escondeu os sobas para não poderem depor a favor de Rafael Marques”.

A saga de Nafoia contra o Tito

Outro grande feito atribuído ao político, foi o afastamento à força do actual deputado independente, Lindo Bernardo Tito. Na altura, Tito exercia o cargo de presidente do grupo parlamentar do PRS, que viu ser acusado de falsificação de um cheque sem cobertura, que, no entanto veio a se conhecer o verdadeiro autor anos mais tarde.

Segundo fontes do PRS, foi o próprio Joaquim Nafoia, que “falsificou e atribuiu ao Tito, tendo na altura contando com a colaboração directa Manuel Ribaia seu antigo adjunto”.

Resposta de Nafoia

Recordo que na semana passada o deputado Joaquim Nafoia negou tais acusações, alegando estar a sofrer “intrigas que têm por finalidade prejudicar sua reputação”.

No final de semana, Joaquim Nafoia, prometeu publicar uma carta, de um suposto pedido financeiro ao seu antigo partido. Espera-se que “não é desta vez que a montanha vai parir um rato”.

O Decreto