Cinco agentes de Segurança do Estado (SINSE) infectados com coronavírus no Cuanza-Norte

A província do Cuanza Norte, a segunda região do país, com casos positivos do novo coronavírus, não tem uma unidade sanitária de referência para o tratamento de doentes infectados pela Covid-19, uma pandemia que em Angola já matou mais de 20 pessoas, num total de perto de 500 casos confirmados.

Segundo uma fonte sanitária ligada ao processo de prevenção combate a pandemia na província do Cuanza-Norte, o governo não “jogou na antecipação” na criação de condições necessárias face à Covid-19.

Com a confirmação dos primeiros casos positivos na província, as autoridades sanitárias locais “foram apanhadas em contra-mão”, uma vez que, de acordo com fonte deste portal, “não existe um único hospital de referência nem centros de quarentena, tal como foram criadas em Luanda, para este fim”.

Por esta altura, o Cuanza Norte contabiliza um total de 16 casos positivos confirmados, dos quais um óbito. Dos doentes que se encontram em tratamento médico, três estão em Luanda e os restantes internados no hotel Camuaxi, em Ndalatando.

Entre os 16 cidadãos infectados no Cuanza Norte, cinco são agentes de Segurança do Estado (SINSE), dois médicos dentista do Hospital Provincial e um funcionário do Governo da Província do Cuanza-Norte, do grupo consta igualmente um cidadão de nacionalidade maliana, que supostamente violou a cerca sanitária com um dos angolanos internados na capital do país.

A fonte do Decreto revela que, no quadro da prevenção e combate ao novo coronavírus, à província do Cuanza Norte recebeu dos cofres do Estado um total de 75 milhões de kwanzas, valor este, que segundo disse, “tinha sido alocado para a construção de um hospital de campanha que podia atender casos da Covid-19”.

“Dizia-se que este dinheiro era para a construção de um hospital para atender doentes desta pandemia, mas infelizmente gastaram todo dinheiro e agora não sabem o que fazer”, referiu à fonte, acrescentando que, “pelo silêncio, tudo indica que o dinheiro foi mesmo desviado para outros fins pessoais”.

Os doentes com casos positivos e suspeitos estão internados no hotel Camuaxi localizado a 11 quilómetros fora da cidade de Ndalatando, quem vai para o município de Lucala.

“Três dos pacientes estão em Luanda por falta de condições e o quarto paciente a ministra voltou disse que tem de ficar mesmo aqui em Ndalatando”.

Inicialmente as autoridades haviam anunciado que, estava em construção um hospital de campanha na zona de “Morro de Binda”, mas a fonte assegura que “tirando as tendas montadas, dentro não tem nenhum equipamento”.

“Por isso é que, os dos doentes e suspeitos, não estão a ser colocados lá por falta de condições técnicas e humanas”, sublinhou.

O Decreto apurou que, o hospital de campanha que inicialmente estava a ser erguido fora da cidade de Nadalatando, os seus equipamentos foram retirados dos hospitais já em funcionamento como o Hospital Provincial e o municipal de Lucala.

Em Luanda, a província mais endêmica do país até ao momento, foram construídos centros de quarentena institucionais nas zonas de Calumbo e Barra do Kwanza, bem com a construção de um hospital de campanha na Zona Económica Especial (ZEE), no município de Viana.

O Executivo Angolano projectou igualmente a construção de hospitais de campanhas nas províncias do Zaire, Cabinda e Lunda-Norte, região do país onde até ao momento não registo de casos positivos da Covid-19.

A população do Cuanza Norte diz “não entender tal discriminação”, que com o aumento de casos confirmados na província as autoridades não dão sinais para a criação locais próprios para o tratamento de doentes acometidos com o novo coronavírus.

O Decreto