Jornalismo angolano: “O viveiro político do MPLA”

Depois de ter retirado da classe jornalística dois antigos profissionais, Luísa Damião, actual vice-presidente do MPLA e Albino Carlos, porta-voz, o partido no poder em Angola, volta apostar na talentosa repórter da TPA, Joana Tomás para suceder a Luzia Inglês, na liderança da OMA, estrutura feminina da organização partidária.

O nome de Joana Tomás, foi confirmado nesta terça-feira, 25, durante reunião do Bureau Político do MPLA dirigida pelo seu presidente, João Lourenço.

Joana Tomás, será guindada a “camarada chefe” da OMA, durante o 7º congresso ordinário desta organização feminina partidária  agendado para 2021.

O analista político, Ilídio Manuel, aborda a situação em duas perspectivas diferentes a mobilidade de jornalistas à política.

” Considero positivo de um lado por que,passa a ideia de que os jornalistas são quadros competentes e que podem prover determinados lugares. Por outro lado isso, também é de certo modo um bocadinho negativo, tendo em conta o tipo de jornalismos que nós fizemos cá” disse o analista político.

Ilídio Manuel, revela-se no entanto preocupado com a politização da profissão de jornalista devido a existência de comités de especialidades de classe.

” Talvez Angola seja um dos poucos países no mundo onde a profissão é de certo modo banalizada. Há uma certa de tendência de politizar uma profissão. O jornalismo é uma profissão que não se compadece com existência de comités de especialidades de jornalistas do MPLA” rematou o analista de política doméstica para quem, isso vem mostrar que a fronteira entre a militância e o jornalismo é” bastante tênue”.

O analista político aclarou que o jornalista, no âmbito da sua cidadania, não está proibido de se filiar a algum partido político, mas apelou  para o respeito dos princípios no exercício da profissão.

” Uma coisa são as tendências partidárias, outra coisa é o jornalismo. O jornalismo é uma actividade isenta,  imparcial e independente. O jornalista tem que se despir  dessa farda da militância política. Jornalismo é informar os factos com verdade”, referiu Ilídio Manuel que  lamentou as informações segundo as quais foi reactivado no Huambo o comité de especialidades dos jornalistas do MPLA, numa iniciativa apadrinhada pela  governadora provincial.

“Isso por si só implica que – nunca se sabe – pode ser um namoro na perspectiva eleitoral” vaticinou o analista político que considerou a elevação de jornalistas a cargos de destaques no aparelho partidária um “prémio” ao trabalho prestado pelos esses profissionais nas suas respectivas redações.

Luísa Damião, era até antes da sua nomeação a vice-presidente do MPLA directora da agência de notícias de Angola, ANGOP. Albino Carlos, foi jornalista do Jornal de Angola e antigo director do Centro de Formação de Jornalistas (CEFOJOR), estrutura tutelada pelo ministério da comunicação social. Joana Tomás, distinguiu-se no jornalismo da TPA pelas suas reportagens reveladoras sobre a vida das populações nas comunidades. Além destes, o MPLA conta na sua estrutura central com vários outros Jornalistas com realce para Sebastião Lino, quadro sénior da RNA e Djamilia Fragoso ( membro do Comité Provincial ) , jornalista ao serviço da TV Zimbo.

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