Sobas do Xá-Muteba saem às ruas em manifestação contra degradação das estradas na Lunda-Norte

Dezenas de autoridades tradicionais (sobas) do município de Xá-Muteba, na província da Lunda-Norte, saíram às ruas, na passada segunda-feira, 9, dois dias antes da celebração dos 45 anos da Independência Nacional, em protesto contra “melhores condições de vida  e estado caótico” das estradas naquela região leste do país.

Os sobas, que reclamam igualmente por melhores condições de vida das populações, exigem ao mesmo tempo à “Sociedade Mineira do Cuango”, empresa exploradora de diamantes há 16 anos, para que construa as pontes que dão acesso às diversas aldeias, com vista a facilitar a circulação de pessoas e bens.

De referir que, o projecto Cuango é uma parceria entre a Endiama, ITM e Lumanhe, sendo designado como “Sociedade Mineira do Cuango, Lda”, tendo a sua sede localizada da Lunda-Norte, onde detém uma área de três mil quilómetros de extensão na costa do rio Cuango.

Segundo consta, a mobilização do projecto teve inicio efectivo em Dezembro de 2004, tendo iniciado a sua produção efectiva em Maio de 2005. Desde então os resultados têm sido bastante animadores, de acordo os gestos da SMC, tendo conquistado produções significativas e gerados resultados rentáveis.

O projecto já produziu acima de 2 milhões de quilates, sendo actualmente as produções médias por venda de 33 mil quilates aproximadamente. Emprega 700 colaboradores, sendo a maioria nacional, compondo 85% do efectivo de trabalhadores.

A riqueza produzida por esta e outras empresas mineiras naquela circunscrição do país, segundo os munícipes, “não tem beneficiado os habitantes da Lunda-Norte”, pois para eles, “os diamantes explorados e levados para parte incerta, beneficiando os ricos”.

“Há muitos anos que a população dos municípios do Cuango e Xa-Muteba, por onde opera a Sociedade Mineira do Cuango, tem vindo a clamar de modo gritante devido a ausência de estradas em condições”, disse um dos sobas, para quem o povo não sente os privilégios das receitas vindas dos diamantes.

Para aquela autoridade tradicional, que indica como exemplo de estradas em condições “péssimas”, a via que liga o município sede do Cuango ao sector de Cafunfo e o troço entre as aldeias de Ngonga-Ngola e Tximbulaje, afirma que “tudo isso indica que há má gestão de quem detém o pão e queijo”, referindo-se ao Governador da Lunda-Norte, Ernesto Muangala.

A população lamenta que a única via que se encontra em condições por estar asfaltada “é a zona onde está instalada a empresa Sociedade Mineira do Cuango, nas aldeias Ngonga-Ngola e Tximbulaje, mas que o acesso é muito restrito”.

Como já reportou O Decreto em edições anteriores, esta via, denominada pela população local como “estrada dos ricos”, não é qualquer cidadão que pode lá circular, “apenas o governador, os administradores municipais, generais, brigadeiros, comandantes municipais e provinciais, bem como dirigentes do partido MPLA”, lembrou outra autoridade tradicional.

“O resto dos pacatos cidadãos são obrigados a utilizar a via nacional, por onde todos dias há capotamento de viatura devido o mau estado da estrada que se encontra completamente esburacada”, disse.

O Decreto