Lundas preparam manifestação contra exclusão de nativos na exploração de diamantes na região

A onda de insatisfação no leste do país, em particular na província da Lunda-Norte, está cada vez mais a crescer no seio da população, que reitera “a existência de injustiças, discriminação e má distribuição da riqueza nacional”.

Os habitantes da Lunda-Norte dizem-se “abandonados” pelo Executivo de do presidente João Lourenço, que “pouco ou quase nada faz para garantir o básico às populações, que na sua maioria vive em extrema pobreza, apesar de a província ser muito rica em diamantes”, afirmam.

Dado o nível de insatisfação generalizada, este portal apurou que nos próximos dias, poderá ser realizada uma manifestação geral em todos os municípios da província, com vista a “exigir melhores condições de vida”.

“As empresas que exploram diamantes que deveria oferecer emprego aos jovens desempregados, estão sem capacidade, e não só, ainda tem vindo a reduzir o pessoal, e na sua maioria são filhos destas terras, e isto preocupa e abala a maioria da juventude”, lê-se numa tona de protesto enviado ao O Decreto.

Segundo os promotores da pretensa manifestação, cuja data será conhecida a qualquer momento, a juventude da Lunda-Norte “sente-se cansada com as políticas falhadas do Governo do MPLA, por está determinada em realizar chuva de manifestações para exigir que o governo angolano preste atenção neste povo”.

 Aquela população entende que, “são encontradas quase todos os dias várias pedras de diamantes que as minas estão a explorar, mas não deixam nada para os populares, apenas deixam zonas esburacadas e sem terras de cultivo, nem rios”.

Em Cafunfo, os jovens afirmam que “estão preparados para o protesto”, uma vez que a direção da Endiama, segundo dizem, “não se pronuncia com a entregue das áreas que alguns filhos desta região haviam requerido no âmbito da criação das cooperativas mineiras nesta região diamantífera das Lunda”.

Entretanto, o cidadão Fiamate André disse que os diamantes que têm sido explorados nos municípios do Cuango, Capenda-Camulemba e Xá-Muteba, “têm de beneficiar os habitantes, isto é, há muito que o governo angolano vem a explorando as pedras preciosas, dia após dia, mas nessas localidades do país, há muitas família a padecer na miséria, com a falta de água potável, estradas asfaltadas, escolas superiores e muito mais”.

Os promotores da referida manifestação pensam que a falta de empresas com capacidades de empregar a maior parte dos jovens nesta província, poderá levar a que muitos a aderiram ao protesto de rua.

“Isto leva a crer muitos não acreditam com as actuais políticas do executivo angolano liderado pelo Presidente João Lourenço”, referem.

Jovens afirmam a única forma para a sobrevivência tem sido a prática do garimpo, para de lá “conseguir estudar, ter casa, vestir bem e outras necessidades, porque aqui desde a conquista da independência, os nossos pais e tios tiveram acesso ao emprego na era da Endiama, mas de lá para cá, não existem empresas de qualidade que possam empregar a juventude por falta de vontade de quem governa o país”, disse Abel Zaione.

De acordo com alguns empresários e requerentes das cooperativas, devido a não legalização destas cooperativas, como base ao sector Mineiro, o Estado por meio do Decreto  Lei nº 31-11 de 23 de Setembro, que aprova o código mineiro no seu artigo 95º consagra a produção mineira de forma industrial semi industrial e artesanal  bem como das normas de procedimento de tramitação de processos inerente outorga direitos mineiros, não conseguem colocar em funcionamento para o fomento do emprego na região.

Os empresários entendem que o decreto em causa garante aos filhos nativos a produção mineira, o que possibilita a criação de postos de trabalho com o empreendedorismo por meio das cooperativas, que na visão destes, poderia acabar com o índice elevado de desemprego nas comunidades engajadas.

André Buta, representante da Endiama disse que, com estas cooperativas locais, podem ser criados mais de 20 mil postos de trabalho, mas disse que “com a devolução das licenças a 241 empresas e cooperativas semi-industriais de mineração de diamantes a sete províncias, nada pode ser feito”.

A população lembra que, as únicas épocas em que foi beneficiada com vários empregos “foi na década de 70 e 80, altura em que estes habitantes usufruíram de uma percentagem de emprego, isto na Endiama-E-P, RST e Odebrecht para os filhos da terra”.