O “Tchilo” que Divaldo Martins impediu

Estamos no Lubango, capital da Huíla, que, como defendemos, deveria ser uma das capitais de Angola.

Como era de esperar, e porque o trabalho nos esperava, temos uma agenda louca que, feliz ou infelizmente, não permite e não nos deixa respirar, nem mesmo para sair do hotel.

Portanto, como qualquer um, no final de semana procuramos trocar de ambiente, embora, na verdade, seja diferente porquanto não estar em Luanda pressupõe, exactamente, isso.

Este ambiente novo que pretendíamos era, precisamente, sair do hotel, onde tudo é formal, com fatos daqui fatos acolá, generais de um canto soldados noutros, elevador agora e para já, bem como os pratos que mesmo pagos pelo Estado são, por excesso, caros.

Para isso, era necessário e indispensável ir a um bar, nas cercanias da cidade do conhecimento (conhecimento que nunca vimos e não sabemos quem foi o inventor dessa farsa), saborear um fino de N’Ngola – a tradicional cerveja destas bandas – e, talvez, ouvir uma música, a seco, cantada por estas “esquebras” do tuga, que, verdade seja dita, abundam estas paragens. Enfim!

No segmento, um chefe máquina esteve ao dispor (mas, não foi dado pelo “Man Divas”, eventualmente porque, também, não o pedimos – risos), e fomos para o centro da cidade que, pelo que vimos, é um autêntico canteiro de obras, como disse o velho Zé, no tempo das suas trapaças.

No local, aliás, nos locais, competente e criteriosamente indicados pelo guia turístico, o oficial Zenga Bento, um cenário espantava. Espantava ainda mais a nós porque saindo de Luanda e conhecendo a vida que levamos, pelo menos em Viana, o território que, muito bem, dominamos, não poderia ser normal em plena sexta-feira encontrar, às 22 horas, ou pouco menos do que isso, tudo encerrado.

Mais do que encerrar ou encerrado, o espanto aumentou com o discurso dos proprietários dos cerca de doze bares cujas portas foram batidas por nós, mesmo com todo o tipo de pedidos que se pode fazer, como o oficial Zenga, muito bem, sabe fazer.

– estamos encerrados e, infelizmente, não podemos fazer mais nada…

– fiz anos hoje e dei uma festa, está a “cuiar” mas, infelizmente, não podem entrar!

– como podem ver, todo o mundo está a sair do bar porque, aqui, a Polícia não  tolera e já passou para avisar…

– podemos ser penalizados pela Polícia. Estão mesmo a multar e com valores muito altos.

Estas foram algumas das muitas respostas que ouvimos e recebemos de pessoas que, mesmo com oportunidades de “faturar” ( porque o oficial Zenga quando recebe visita faz demonstração de forças) nada mais fizeram do que dizer não ao vosso dinheiro e ponto final!

Para compreender, substancialmente, a recusa e à excessiva obediência deste povo, contactámos, e já no hotel, um outro oficial próximo a nós, o José Chimuco, no caso, que, nas entrelinhas explicou tudinho, aliás, para saberdes, o Chimuco é o jovem Porta-voz da Polícia na Huíla.

Entre palavra e mais palavras disse que, de facto, a Huíla em termos de fiscalização e cumprimento das medidas impostas pelo Decreto Presidencial que estabelece o estado de calamidade pública, é dos casos a ter como exemplo.

“Vasco, aqui não é tipo em Luanda onde  as casas nocturnas continuam abertas até às altas horas da noite. Isso aqui não é uma mbuandja, como você mesmo gosta de dizer”, disse, o oficial com um sorriso nos lábios e com os braços abertos acenou!

Para mais, disse: – o Comandante Divaldo baixa orientações precisas quanto a este aspecto.

Conhecemos o artigo 4° do Decreto Presidêncial sobre esta matéria e o aplicamos sem contemplações, pois – acrescentou – está em causa o bem vida.

Portanto, nada mais a adiantar, nem para reclamar, porque contra factos não podemos ter argumentos em tudo, entendemos, e muito bem, que o rigor, a firmeza que é característica do jovem Comandante, o Divaldo Martins, tinha impedido, de facto, o nosso “tchilo”.

Enfim, o comissário Divaldo está de parabéns, pois, o cenário que se vive, um pouco pelo País, é diferente do que encontramos aqui na Huíla. Aliás, é só ver o vídeo do General Laborinho em que os vendedores com que ele fala estão todos com máscaras.

Por: Vasco da Gama

O Decreto

A opinião do presente artigo é de inteira responsabilidade do articulista.

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