Militantes no MPLA denunciam “fraude” nas eleições municipais, distritais e comunais

As conferências municipais, distritais e comunais, que elegeram os primeiros secretários do MPLA foram marcadas com denúncias de “fraudes” e “irregularidades” no processo, segundo os militantes.

A denúncia de “fraude” na escolha dos primeiros secretários dos camaradas a nível das bases é dos próprios delegados e candidatos das conferências municipais e distritais, que falaram em “falta de lisura e transparência” na selecção dos delegados e a “eleição” dos próprios candidatos ao cargo de primeiro secretário.

A eleição dos responsáveis do partido no poder nos municípios e comunas, segundo fontes do O Decreto, “foram mediante candidaturas únicas, que expressaram vontade da direcção do partido”, disse a fonte, revelando ainda que “a realização de conferências com mais de um candidato serviu apenas para enganar a sociedade para dar a entender que existe democracia dentro do MPLA”, explicou.

A conferência elegeu o primeiro secretário distrital do MPLA no Kilamba, no município de Belas, em Luanda, mereceu a contestação da candidata derrotada Cristina Januário.

A jovem militante do partido no poder “refutou” os resultados divulgados pela comissão organizadora da conferência, argumentando que houve irregularidades na “democracia orientada” no seio dos camaradas para a escolha, em acto electivo do seu representante na zona.

A candidata que surgiu num vídeo amplamente divulgado nas redes sociais, denuncia durante a conferência, uma série de “anomalias” que, segundo ela, comprometem a transparência e lisura do acto.

“Sinto-me lesada perante este processo, noto que não há transparência e verifico muitas irregularidades”, reclamou aos presentes, apelando “aos camaradas para que seja posta a regularidade, a transparência e a lisura neste processo”, disse Cristina Januário, candidata do MPLA no Kilamba.

Entre as alegadas ilegalidades, a candidata vencida revela não ter tido acesso à lista dos delegados ao evento, pelo que apelou à sensibilidade para a reposição da legalidade.

“São inúmeras irregularidades que estamos a notar até agora, não tivemos o acesso da lista dos delegados em momento nenhum, pois todas as vezes que solicitamos quais os delegados, nos foi quartado este direito”, denunciou.

Em resposta, a organização da conferência considerou sem fundamento os argumentos da jovem Cristina Januário, porquanto, entendem os organizadores, a candidata teve tempo suficiente para apresentar qualquer reclamação.

Outra denúncia no distrito do Nova Vida

Outra denúncia de “fraude” no processo de eleição de 1ª secretário do MPLA, surgiu no Distrito Urbano do Nova Vida, no município de Kilamba-Kiaxi, na capital do país, onde o candidato derrotado, Rosário Neto negou os resultados eleitorais da IIª conferência ordinária de balanço e renovação de mandatos.

Para o candidato que prometeu, na altura impugnar o acto em sete dias, foram registadas várias “irregularidades”, que para ele, “nem sequer o diabo se lembra”, revelando que “tiveram que levar os votos para fora da sala depois da votação”.

Rosário Neto disse que começou a sentir a sua “exclusão”, quando, de forma “deliberada” a comissão organizadora “omitiu” a sua formação acadêmica na biografia apresentada aos delegados à conferência.

No rol da contestação, o candidato denunciou ainda a substituição dos membros da comissão eleitoral por pessoas da “confiança” do candidato vencedor, quando, segundo Rosário Neto, na pré-conferência foram apresentadas outras figuras, sem que o coordenador da comissão preparatória tivesse conhecimento.

“Num pleito eleitoral, quem ganha deve fazê-lo com toda honestidade, pois os votos não podem sair desta sala quando há uma contestação, por isso, vou impugnar este processo com veemência”, disse Rosário Neto, acrescentando que, “o acto protagonizado pela organização, refere os Estatutos do MPLA e dos regulamentos da IIª conferência ordinária de renovação de mandatos”.

Entretanto, o primeiro secretário provincial de Luanda do MPLA, Bento Bento, apontou a vitória eleitoral do seu partido como a meta alcançar em 2022, para tal, disse o político, o partido no poder precisa de lideranças fortes em todos os níveis.

O Decreto