Polícia angolana acusado de “torturarem” até à morte homem suspeito de furtar telemóvel

Homem suspeito de furtar telemóvel torturado até a morte por agentes da polícia no Cuango.

Agentes da Polícia Nacional estão a ser acusados de terem “torturado” até à morte, um jovem de 30 anos, que em vida respondia pelo nome de Manucho Luciano António.

O facto ocorreu na comuna do Luremo, município do Cuango, província da Lunda-Norte, em que, dois efectivos da Polícia Nacional pertencentes à 3ª Esquadra, segundo a denúncia dos familiares, espancaram o homem suspeito de ter “roubado” um telemóvel de um dos garimpeiros numa zona de exploração de diamantes.

O Decreto tem vindo a reportar vários casos de torturas e assassinatos de cidadãos civis na região mineira do Cuango, acções que têm sido atribuídas aos órgãos de defesa e segurança do Estado, bem como aos agentes de empresas de segurança privada, mas os cidadãos lamentam que, os supostos implicados nunca são responsabilizados criminalmente.

Segundo fonte familiar, a vítima teria ido a uma zona de garimpo mais próximo do bairro Gika, onde a maioria dos jovens da vila de Cafunfo tem se dedicado a actividade de “chock” (garimpo artesanal), com vista a garantir a sobrevivência dada a pobreza que afecta as famílias.

Acompanhado se seus amigos garimpeiros, contaram ao O Decreto, Manucho Luciano António, passou a noite em companhia dos “colegas” no bairro Mandinga e um dos três garimpeiros cuja identidade não foi possível apurar, teria deixado em casa em que passaram a noite um telemóvel, e não tendo sido encontrado a culpa recaiu ao jovem Manucho, aquém acusaram de ter furtado o aparelho, mas este negou ter visto o telemóvel em causa.

“Durante a divergência entre os garimpeiros, resultou em conflito que culminou em uma luta entre eles, e por falta de consenso, estes entraram em pancadaria até que o caso teve de parar a Polícia Nacional mais próxima do bairro onde estes se encontravam”, contou.

A fonte acrescentou que “os três garimpeiros resolveram levar o caso até aos policiais residentem no bairro Mandinga, para que resolvessem o caso, e os polícias, ao invés de fazer o interrogatório ao acusado, logo submeteram a tortura ao Manucho, espancando-o com gravidade ao ponto de morrer no dia seguinte”, lamentou.

Os familiares contaram ainda que os agentes da corporação não se importaram em ouvir o acusado, obrigando apenas o mesmo a deitar de barriga para o chão, enquanto os dois pisaram pela cabeça e nos membros superiores.

“O Manucho foi barbaramente espancado nas costas, nádegas, na cabeça e em todo o corpo, por isso, os agentes da polícia são autores morais da morte do nosso familiar”, disse um dos irmãos do malogrado.

Depois da acção cometida, os efectivos da Polícia Nacional exigiram que ao cidadão ora espancado ao pagamento de dez mil kwanzas de caução aos queixosos, para que fosse colocado em liberdade, mas por falta de tais valores, os familiares do malogrado conseguiram apenas de pagar três mil kwanzas, tendo dado mil kwanzas ao agredido para a sua medicação face aos ferimentos sofridos.

Os activistas revelam que a violação de direito humanos na região do Cuango tem sido frequente nas zonas de garimpo, onde vários cidadãos morrem pela tortura, espancamento, e outros têm sido atingidos mortalmente pela polícia, segurança de empresa privadas de “grandes elites do MPLA”, actos que configuram em “crimes contra a humanidade”.

O portal O Decreto contactou o Comando Municipal do Cuango da Polícia Nacional, mas nada resultou.

O Decreto