“João Lourenço trava democratização do MPLA”, diz pré-candidato à liderança dos camaradas

O pré-candidato à liderança do MPLA, António Venâncio, disse que a popularidade do partido no poder em Angola “decresceu muito” nos últimos dias, no seio da sociedade, devido à falta de democracia interna, que para ele, condiciona o desenvolvimento e boa governação do país.

António Venâncio que manifesta a intenção de, nos próximos dias, formalizar a sua candidatura a presidente do MPLA, no congresso agendado para o próximo mês de Dezembro do ano em curso, para substituir o actual líder João Lourenço que poderá concorrer a sua própria sucessão, entende que, as reformas profundas no partido que governa Angola há 46 anos, ainda não foram feitas “como, por exemplo, a democratização da organização”.

Para o engenheiro António Venâncio, 66 anos, dos quais 48 anos como militante activo do MPLA, que respondia a questão do portal O Decreto, “é preciso libertar algumas mentes e o João Lourenço faz pouco para democratizar o partido, e isto poder feito pelos delegados do próximo congresso”, afirmou.

Militante do MPLA há 48 anos, o pré-candidato que “desafia” João Lourenço no congresso de Dezembro deste ano, afirmou que “a falta de democracia interna nos seio do partido dos camaradas tem reflexos negativos na governação do país, gerando cenários de bajulação, nepotismo, idolatria ou endeusamento do líder”.

Em conferência de imprensa realizada nesta terça-feira, 19, na sua residência, em Luanda, António Venâncio, considerou que, a eleição à líder do partido constitui numa oportunidade de chegar à Presidência da República e mudar o paradigma de governação de Angola.

“O cargo de presidente do partido é uma oportunidade para obter a confiança da direcção do partido para ser designado cabeça de lista e, uma vez vencidas as eleições gerais, liderar o governo e introduzir as reformas profundas previstas na minha moção de estratégia”, disse.

Na visão de António Venâncio, para garantir um desenvolvimento harmonioso do país, “é necessário conciliar as decisões políticas com a racionalidade dos processos de transformação técnica das riquezas do país com base na infra-estruturação de todo o território com as designadas grandes obras de engenharia onde deverá assentar todo o desenvolvimento”, considerou.

O político pensa que “uma candidatura com propostas alternativas para o desenvolvimento poderá melhorar o ambiente político nacional e com isso relançar o pensamento político e económico para a construção de uma Angola nova, mais virada para a resolução dos problemas do povo”, frisou.

MPLA abre processo de candidaturas à liderança do partido

O processo de apresentação de candidaturas aos cargos de presidente, vice- presidente, secretário-geral e primeiros-secretários provinciais do MPLA arranca nesta quarta-feira, 20.

A informação foi prestada esta terça-feira, em conferência de imprensa, por Joaquim Migueis, da subcomissão de Mandatos da Comissão Preparatória do VIII Congresso Ordinário do MPLA, a realizar-se de 9 a 11 de Novembro deste ano, em Luanda.

Apoiado nos Estatutos e regulamento do partido, disse que os candidatos a presidente do MPLA devem ter não menos que 15 anos de militância e apresentar até duas mil assinaturas, sendo que, destas, deverão constar, no mínimo, 100 de cada uma das 18 províncias, bem como uma Moção de Estratégia que contenha as ideias e propostas essenciais do pretendente, assim como as vias de aplicação do programa.

Joaquim Migueis deu a conhecer que serão aceites as candidaturas a presidente entregues 15 dias após a convocação do congresso, sendo que o processo encerra 45 dias antes da sua realização.

Neste sentido, frisou, a campanha eleitoral decorrerá de 23 de Novembro a 7 de Dezembro.

Em relação aos candidatos a vice-presidente, secretário-geral, primeiros secretários e presidente da comissão de Auditoria e Disciplina, disse que esses estão obrigados a ter, no mínimo, 10 anos de militância e a juntar até mil assinaturas.

As candidaturas podem ser remetidas à Comissão de Mandatos até cinco de Novembro e a notificação da sua validade até ao dia oito do mesmo mês.

A apresentação da candidatura pode ser de iniciativa do militante, de grupo de militantes, da direcção do órgão ou organismo cessante, bem como de delegados ao congresso.

A campanha eleitoral só deve ocorrer no seio das estruturas partidárias e das suas organizações sociais, esgrimindo argumentos para a promoção da candidatura.

Joaquim Migueis informou que são elegíveis os cidadãos angolanos em pleno gozo dos seus direitos civis e políticos, ser fiel e intransigente defensor dos ideais políticos do MPLA, patriota exemplar, activo, consequente, íntegro, honesto e dedicado às tarefas do partido, da Nação e do povo angolano, a par de boa capacidade organizativa, liderança e conduta moral e cívica aceitável.

Disse haver abertura para a apresentação de listas concorrentes e candidaturas individuais, merecendo todas tratamento igual.  

O Decreto